Operação Carbono Oculto e a pergunta que ninguém quer fazer? Quem controla a torneira do metanol no Brasil? Quem e Tricon Energy, maior importadora do Metanol no Brasil?

Operação Carbono Oculto e a pergunta que ninguém quer fazer?

Quem controla a torneira do metanol no Brasil?

Quem e Tricon Energy, maior importadora do Metanol no Brasil?



Quando questionada em juízo sobre de quem era a autorização para as compras de metanol feitas em nome da Biopetro, a Tricon Energy apresentou como base um contrato que trazia o nome de Mohammed Hussein Mourad. Na minha leitura, isso não é um detalhe processual, é o centro do escândalo. Trata-se de um nome apontado como figura chave do PCC e associado à Operação Carbono Oculto, descrita como uma das maiores investigações de crime organizado ligadas à cadeia de combustíveis no Brasil. Em termos práticos, a resposta que ficou registrada nos autos foi esta: diante da autoridade formal do Diretor Presidente, com nove anos de relacionamento e notificações explícitas, a Tricon preferiu sustentar a autorização em um documento vinculado a um agente externo, e esse fato, por si só, exige apuração criminal e regulatória imediata.

Eu cheguei ao Brasil em 2004 porque acreditei no país e no seu povo. Acreditei no programa do Presidente Lula para o biodiesel. Antes da inauguração da nossa usina em Araraquara, eu cumprimentei pessoalmente o Presidente Lula. Para mim, aquele gesto foi um selo de confiança. Investir milhões para construir uma planta moderna. Criei empregos. Estruturei programas sociais. Eu criei programas sociais para agricultores familiares, ajudando mais de 2.000 pessoas na região. Eu participei no plantio de 1.000.000 árvores para apoiar o meio ambiente. Eu vim para construir um pedaço do futuro energético do Brasil.

O que aconteceu depois não foi concorrência. Não foi erro de gestão. Não foi “problema de mercado”. O que destruiu a minha empresa não foi só a invasão do PCC, foi um sistema. Um sistema onde uma denúncia formal vira silêncio. Onde um insumo químico conhecido por desvio vira instrumento de poder. Onde o crime organizado não opera sozinho, porque crime organizado, por definição, precisa de portas abertas. Precisa de omissão. Precisa de complacência. Precisa de gente com caneta, carimbo, senha e autoridade fingindo que não viu.

Estudos acadêmicos no Brasil, inclusive de centros como FGV e USP, são claros em um ponto que o país precisa encarar com coragem
Crime organizado não acontece no vácuo
Ele precisa de facilitadores
Ele precisa de pontos de apoio
Ele precisa de estruturas formais que, por ação ou omissão, tornam o crime viável

É por isso que a pergunta central, aqui, não é abstrata. Ela é técnica, operacional e objetiva

Quem controla a torneira do metanol no Brasil?
Quem importa?
Quem empurra?
Quem vende?
Quem cria canal paralelo?
Quem fecha os olhos quando aparece um documento sem poder?
Quem aceita depósito em espécie sem lógica comercial mínima para pagar metanol?
Quem transforma um insumo regulado em moeda do submundo?

O que a Operação Carbono Oculto revelou, e o que ainda está em aberto
Quando o Estado anuncia uma grande operação envolvendo metanol, fraudes e lavagem de dinheiro, a primeira reação de qualquer cidadão de boa fé é pensar
Finalmente.

Mas há uma pergunta incômoda que precisa ser feita com honestidade
Quantas prisões foram feitas até agora, de fato?
Até onde foi divulgado publicamente, o número de prisões é baixo, e, na minha leitura, chega ao absurdo de parecer que apenas uma prisão se destaca como consequência concreta, enquanto a engrenagem inteira continua viva. Se isso for verdade, então o que foi removido não foi a máquina. Foi apenas o rosto mais visível.

Porque a máquina de crime não pára sozinha?
Ela só muda de operador
E ela se mantém porque muita gente já está acostumada a receber propina, caixa dois e benefício indireto
Esse tipo de renda não desaparece com discurso
Ela desaparece com investigação, processo, condenação e perda patrimonial.

A invasão e o começo do meu alerta
A minha empresa foi invadida por atores que eu relaciono ao PCC, inclusive por um indivíduo chamado Mohammed Hussein Mourad. Esse nome não é um boato para mim. Esse nome entrou na minha vida de forma concreta, dentro do meu ambiente empresarial, e aparece em registros e peças que eu apresentei às autoridades.

Eu estava nos Estados Unidos. Eu voei de volta ao Brasil para tentar remover invasores e proteger o que era meu, o que era dos trabalhadores, o que era de um projeto de energia limpa. Eu bati em portas.

Eu procurei o DEIC em São Paulo. Eu procurei autoridades locais. Eu procurei a polícia civil. Eu formalizei denúncias. Eu protocolei. Eu escrevi. Eu repeti. Eu insisti porque era urgente.

E a resposta prática foi um muro
Em cada porta, um muro.

O metanol não é detalhe técnico. É o eixo do crime
O Metanol é um insumo regulado e sensível. Ele tem histórico de desvio. Ele tem histórico de uso em fraude. Ele tem histórico de uso em cadeias criminosas. Ele não deveria circular no “mercado paralelo”. Ele não deveria ser comprado em nome de usina por terceiros estranhos ao negócio. Ele não deveria ser tratado como produto de acesso privilegiado por canal informal.

Mas foi exatamente isso que eu vi.

O que eu testemunhei no mercado. As “cotas” e o canal paralelo
Durante anos como operador licenciado, eu vi um padrão que, para mim, é impossível ignorar.

Toda vez que um grande carregamento do Tricon Energy estava para chegar, apareciam pessoas batendo às portas de usinas e empresas químicas oferecendo “cotas” de metanol.

Cotas.

Como se fosse um favor. Como se fosse um clube. Como se o acesso fosse uma chave.

Essas pessoas não eram, na prática, a empresa. Eram intermediários. “Desenvolvedores de negócios.” Gente que abre porta, pressiona, faz o meio de campo. E quando eu perguntava quem estava por trás, a conversa voltava para alguém do time comercial do Tricon Energy.

Foi assim que eu vi o canal paralelo se formar.

Eu não estou descrevendo uma “técnica agressiva de vendas”. Eu estou descrevendo arquitetura de risco. Estrutura que permite desvio, propina, triangulação, abastecimento de mercado ilegal e, depois, negação plausível.

E é por isso que eu afirmo,
Operação Carbono Oculto só faz sentido completo se encostar na fonte do metanol e no modelo de distribuição que alimenta o sistema

O ponto mais flagrante. Nove anos de relação e, de repente, “não reconheço o Diretor Presidente”
Tricon fez negócio com a minha empresa por nove anos. Nove anos. Executivos e representantes sabiam perfeitamente quem eu era. Eu era o Diretor Presidente e um dos sócios. Eles foram à planta. Trataram assuntos comigo. Fecharam temas comigo.

Quando a crise começou, eu enviei 9 notificações formais. E eu não enviei apenas ao nível local. Eu enviei também a executivos nos Estados Unidos. Eu fiz isso para eliminar qualquer dúvida, qualquer suposta confusão, qualquer desculpa futura.

Eu deixei claro, por escrito, repetidas vezes
Nenhuma compra de metanol poderia ser feita em nome da Bio Petro sem a minha autorização, ou a de um único outro diretor autorizado

Mesmo assim, as vendas continuaram.

Continuaram com base em documento assinado por Mohammed Hussein Mourad, sem procuração válida, com autorização que não era minha.

E aqui está o ponto que eu não aceito que seja suavizado, porque ele é o núcleo do caso

Uma empresa que faz negócio por nove anos com o Diretor Presidente, e de repente escolhe ignorar o Diretor Presidente e aceitar instruções de um terceiro sem poderes formais, em cadeia regulada e sensível, não pode chamar isso de “erro”. Isso é decisão.

Se foi decisão, precisa de investigação criminal, regulatória e corporativa, com rastreio de quem aprovou, quem autorizou, quem comissionou, quem recebeu, quem ignorou alerta e por quê.

Justiça e responsabilização. O que eu estou pedindo, de forma objetiva
Eu não estou pedindo narrativa. Eu não estou pedindo compaixão. Eu estou pedindo justiça.

Eu estou pedindo que o Brasil investigue e responsabilize empresas que, na prática, ajudaram e viabilizaram a atuação do PCC dentro da cadeia do metanol.

Eu estou pedindo que Tricon Energy e Banco Bradesco sejam investigados sob a ótica de facilitação e auxílio, porque, no meu caso, não foi um evento isolado. Houve decisões corporativas concretas que permitiram que terceiros operassem em meu nome, comprassem metanol e movimentam recursos como se fossem a minha empresa, mesmo sem autoridade formal, mesmo sem procuração válida, mesmo depois de 9 notificações formais inequívocas, inclusive para executivos no exterior.

Isso é facilitação. Isso é conivência operacional, no mínimo. Isso é participação funcional na engrenagem, na minha opinião, quando se olha o conjunto de atos e consequências.

E existe um ponto ainda mais grave que o Brasil precisa encarar

As empresas e pessoas que operaram em meu nome continuam funcionando hoje
Até hoje, empresas e indivíduos que aparecem como depositantes, participantes do fluxo financeiro, ou beneficiários indiretos do metanol comprado em meu nome continuam operando normalmente.

Não houve consequência proporcional. Não houve responsabilização sistêmica. Não houve limpeza real.

E isso prova que a máquina continua viva.

Em qualquer país, o mínimo seria

  1. Investigar quem pagou

  2. Investigar por que pagou

  3. Investigar a origem do dinheiro

  4. Investigar quem autorizou internamente

  5. Investigar quem aprovou

  6. Investigar quem ignorou alertas

  7. Investigar quem aceitou documento sem poderes

  8. Investigar quem manteve vendas mesmo após notificações formais

Sem isso, o recado para o mercado é simples
O risco é baixo e o retorno é alto

A balança de massa. A química e a matemática como teste objetivo
Existe uma forma objetiva de medir se o país está fechando a torneira.

Biodiesel é a transesterificação. É engenharia. É reação química. É estequiometria.

Existe um parâmetro técnico previsível de uso de metanol. Existe recuperação de metanol. Existe eficiência. Existe limite físico.

Quando os volumes de metanol que entram no país e os volumes atribuídos ao biodiesel se descolam da física do processo, isso é sinal.

Sinal de erro grave ou sinal de desvio.

Então a pergunta que eu faço é simples?

Por que a ANP não publica mensalmente um balanço de massa rastreável e auditável, com trilhas públicas, que some importação e produção doméstica e subtraia consumo por setor?
Por que não existe um gatilho automático de investigação quando o consumo declarado foge do padrão técnico?

Porque quando o número aparece, a proteção diminui
E quando a proteção diminui, o crime perde oxigênio.

O que precisa acontecer agora, se o Brasil quer desmontar a máquina
Se a Operação Carbono Oculto quer ser lembrada como algo maior do que manchete, ela precisa ir além do varejo do crime.

Ela precisa chegar no atacado
Ela precisa chegar ao importador
Ela precisa chegar ao modelo comercial
Ela precisa chegar aos intermediários
Ela precisa chegar ao canal bancário
Ela precisa chegar às rotas
Ela precisa chegar aos facilitadores.

Porque se você não fecha a torneira, a máquina continua
Troca o nome do operador e o fluxo segue.

O meu pedido é direto
Investigação, responsabilização e consequências reais

Justiça contra quem auxiliou e viabilizou o PCC dentro da cadeia do metanol, na minha visão, incluindo Tricon Energy e Banco Bradesco
Justiça para que empresas e indivíduos que atuaram em meu nome e receberam metanol, e que ainda operam hoje, sejam investigados e responsabilizados.
Justiça para que o Brasil pare de tratar um insumo sensível como se fosse um produto comum, e comece a tratá-lo como assunto de Estado.

A química não mente. A matemática não mente. A pergunta é se as instituições vão parar de fingir que não viram.



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